sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O Que a Escola Não Me Contou!






Outono! Não consigo descrever em palavras o que é presenciar a magia dessa estação...! Chegamos na Alemanha no começo de outubro, o outono também estava chegando aos poucos. Tivemos o privilégio de presenciar todas as estações do ano aqui na Europa, e mesmo eu sendo de um país ensolarado como o Brasil, não foi o verão daqui que mais me fez suspirar..., mas o outono!

Folhas dos mais diferentes tons de amarelo e laranja no chão, aquele sentimento melancólico no ar ... a natureza se prepara para passar por mais uma metamorfose, em que ela vai deixar a última beleza das folhas aparecer, para então desaparecer com o inverno.





O começo do outono




Pura poesia





Um pontinho amarelo




Melancólico







Surreal


Quando você ouve o nome Alemanha, o que vem em sua mente? 

Bom, vou compartilhar com vocês o que eu pensava: a primeira coisa que vinha em minha mente era Hitler, nazismo, povo frio, língua difícil de entender e a queda do muro de Berlim! No entanto, fui surpreendida com um povo inteligente, super consciente com as questões ambientais e muito sensível. 

Sempre temos a tendência de generalizar comportamentos e aceitar o que nos mostram nos livros de história, escola e televisão. É por isto que viajar é tão bom, pois você tem a oportunidade de conversar olhando dentro dos olhos das pessoas, sentir o calor de suas histórias e a verdade dos momentos vividos. E é assim que começo a conhecer e aprender um pouquinho mais sobre a história que a escola não me contou.

A cidade de Bremen, fica mais ao norte da Alemanha e é onde ficamos cerca de um mês e meio na casa dos tios do Henrique, que aliás foram maravilhosos! Não temos palavras para agradecer tanto carinho que recebemos da Zoca e do Axel! Muito obrigada! 



Jantar de Ano Novo



A escola não me ensinou e mostrou a história de muitos alemães vítimas da guerra, que muitos deles privilegiam modos mais sustentáveis de vida, que gostam de ter o seu jardim para plantar sua própria comida, que gostam de aprender de tudo, que adoram maçãs, que passaram fome durante a guerra e que ajudaram muitos russos a não serem mortos pelos nazistas. Posso dizer, eles não são frios e não se acham os donos do mundo. Com certeza não posso cometer o mesmo erro de generalizar, é claro que você encontra alemães frios e etc, como você encontra brasileiros frios e até nazistas. O que quero compartilhar é essa experiência que a viagem me proporcionou, de quebrar tabus, estereótipos. 

A mãe do Axel é uma senhora de 87 anos que nos contou um pouquinho sobre os momentos da guerra, os quais ela presenciou. Ela era professora e ativista, ensinava alemão para os russos e os escondia dos nazistas. Presenciou pessoas morrendo, passou momentos muitos difíceis e disse que não sabe como saiu viva da guerra. A região onde eles viviam foi uma região muito atingida pela guerra, pois era onde haviam muitas indústrias, a parte desenvolvida do país. Um dia desses tiveram que isolar a cidade, pois acharam uma bomba enterrada na região onde ela mora. 

 O Axel e um de seus amigos tem seu próprio jardim onde plantam maçãs, hortaliças, dentre outros; andam de bicicleta e fazem mil e uma coisas, no esquema faça você mesmo sabe?! 
Em Bremen o governo forneceu terras para as pessoas depois da guerra para elas plantarem e terem o seu próprio jardim, tem um monte deles espalhados pela cidade. Ao fazermos um dos nossos passeios de bicicleta, passamos por esses jardins, e uma mulher nos chamou para entrar e nos deu maçãs e ameixas do Japão. 

Sabe o que eu descobri? As histórias não contadas pela escola dão boas histórias!!


OS JARDINS DE BREMEN





Pequena horta





Jardins de couve


Escrevo esse post porque realmente não esperava encontrar e aprender tanta coisa legal na Alemanha. E para dizer: VIAJEM, VIAJEM MUITO SEMPRE QUE PUDEREM!! Como diz Mário Quintana: viajar é trocar a roupa da alma!  


Viajemos pra África, pro Japão, pra Paraíba ou pro Sertão
Viajemos pra rua ao lado, pro Jequitinhonha ou pro Sudão

Converse com as pessoas mais simples, e
corra dos lugares turísticos! 

Viaje pra sua alma, sim lá no fundinho...

Viaje! 


Grande beijo a todos! 


FOTOS: HENRIQUE PEDERNEIRAS E FERNANDA ARAUJO













sábado, 11 de janeiro de 2014

"...PRECISAM COMER COMIDA COM DEFENSIVO SIM!!"

No primeiro mês do ano de 2014 não posso deixar de escrever para vocês desejando um ano cheio de alegria e sorrisos! O que mais tenho aprendido nessa viagem é que quando enfrentamos os desafios de forma mais relaxada e alegre fica mais fácil aprender com eles. Por isso queridos leitores, acho que o que posso desejar de mais verdadeiro para vocês nesse momento é muita gargalhada! Nunca disse isto com tanta verdade: 

UM FELIZ 2014!



É POSSÍVEL


" não é o caso de milhares e milhares de brasileiros que ganham um salário mínimo ou que não ganham nada, e que portanto, PRECISAM COMER COMIDA COM DEFENSIVO (AGROTÓXICO) SIM, porque é a única forma de se fazer o alimento mais barato, infelizmente". (Fala da senadora Kátia Abreu, criticando a denúncia que o presidente da ANVISA fez ao uso descontrolado de agrotóxicos no Brasil)



E para estrear o ano, o post de hoje vai relatar nosso trabalho numa fazenda orgânica em County Clare/ Irlanda, nossa terceira experiência de voluntariado na ilha mágica, de 02/09/2013 a 01/10/2013. É impressionante como cada vivência nos ensina sempre um pouco mais sobre essa nossa casinha chamada Planeta Terra. 

Dessa vez aprendemos que é possível plantar, comer e desfrutar de comida de qualidade, tudo passa pela questão da força de vontade. Na fazenda do Tobias, descobrimos  o quão gostoso é poder comer uma comida fresca e sem agrotóxico. Já tínhamos experimentado isso na Sonairte, onde fizemos nosso primeiro trabalho, mas a diferença é que dessa vez nós plantávamos e colhíamos a nossa comida! Foi uma experiência tão impactante, que quero gritar para os quatro cantos da terra que a fome não deveria existir! Quero ver florescer pequenos, médios e grandes jardins orgânicos por todo lado!










Essas grandes empresas e políticos que dizem que para alimentar o mundo precisamos desmatar nossas florestas para plantar monoculturas, e usar agrotóxico para a comida ficar mais barata  é só uma desculpa para o enriquecimento dos mesmos. Por isso, quero deixar uma reflexão e uma sugestão: por que não passamos a valorizar as feirinhas orgânicas que acontecem na nossa cidade? Concordo que muitas vezes é uma comida mais cara, mas se passarmos  a economizar em outros itens mais supérfluos para comprar uma comida mais saudável podemos virar esse jogo através da lei da oferta e da procura. Indico um documentário do cineasta brasileiro Silvio Tendler chamado O Veneno está na Mesa, onde ele denuncia a indústria do agronegócio que está colocando veneno para o brasileiro comer. A senadora Kátia Abreu aparece nesse documentário, dizendo que se o pobre quer comer ele tem que comer comida com agrotóxico, isso para justificar que a comida com esses químicos é bem mais barata.


https://www.youtube.com/watch?v=BR1S8tdgkKQ#t=159


Por experiência própria eu posso dizer que é possível também termos uma pequena hortinha em casa, ou mesmo em apartamento. Dá para plantar uns temperinhos, gengibre, alface... Por que não tentar? Aqui na Irlanda há muitas pessoas que fazem isso, as fazendas orgânicas estão por todo o país, e dessa vez aprendemos um pouco mais sobre tudo que essa ilha mágica pode nos proporcionar. Fiquem então com mais essa experiência que queremos compartilhar com vocês.


CASA MÓVEL

Dessa vez não chegamos em um lugar onde haviam milhares de aranhas, mas estávamos em uma casa móvel. Sim, em uma caravana! Por aqui eles chamam de mobile home, é uma daquelas casas que você pode viajar para todo lugar com elas, você acopla em um carro/ônibus e sai viajando. No mobile home você tem sala, quartos, cozinha e banheiro. E dessa vez, ficamos hospedados em uma caravana, delícia  de experiência, menos quando fazia muito frio, kkk! Confiram as fotos:


Apartamento particular. 



Sala



Cozinha



Banheiro



Quarto



Na varanda. 



PLANTAR E COLHER

Nessa fazenda orgânica trabalhávamos de terça a sábado de 09h às 17h, o proprietário administrava o lugar somente com a ajuda dos voluntários, é impressionante. Ele tem plantação de tudo que você possa imaginar. Couve, cenoura, batata, beterraba, cebola, alfaces, rúcula, espinafre, pepino, abobrinha, tomates, feijão, abóbora, maçã, damasco, vários tipos de temperos, flores para fazer chá, etc, etc, etc... e ainda cria abelhas para produzir mel. É uma infinidade de alimentos, tudo orgânico!

Comendo comida orgânica e sem carne vermelha durante um mês, nunca me senti tão bem disposta e com tanta energia. Mas nem tudo são flores na vida, para o Tobias, toda essa qualidade significa muito trabalho e força de vontade! Através do Wwoof (World Wide Opportunities on Organic Farms), ele consegue os voluntários para ajudar e ao mesmo tempo aprender. Mas nós não precisamos ter um jardim desse tamanho, mas podemos valorizar os mercados orgânicos da nossa cidade e começar um pequeno jardim. Que tal?




Tomates e rúculas



Politúneis


Deliciosos tomates



Vários tipos de alface







Fazendo bagunça! 







Quem quer uma cenoura fresquinha? 




Colhendo calêndulas









Alfaces para o mercado



Cuidadosamente








Vai um ovinho fresco? 


Um mês foi suficiente para despertar a vontade de comer comida de qualidade e fazer o possível para divulgar a campanha dos orgânicos e quem saber ter meu próprio jardim.


NOS DIAS DE FOLGA

Como já relatei na última postagem, nos dias de folga podemos conhecer lugares inusitados.  No Tobias, as nossas folgas eram aos domingos e segundas feiras. Caminhadas longas ou curtas nos levavam a destinos mágicos, a conhecer pessoas curiosas, presenciar tradições e histórias. Curiosamente, estávamos em uma região que muitas pessoas no século XIX morreram de fome. A Inglaterra tomou as terras mais férteis dos Irlandeses e os mandou para uma região em que eles conseguiam plantar só batatas, quando veio a peste da batata, os irlandeses morreram aos montes (mais de 1 milhão). Nessa região, visitamos um cemitério nada tradicional, onde muitas pessoas vítimas dessa grande fome foram enterradas. Para cada pessoa enterrada ali, era plantada uma árvore, esse lugar me emocionou. Hoje a fome passa longe daquele lugar.

Fiquem com algumas fotos dessas caminhadas:



Luz mágica. 



Árvore anciã




Caminhos ao longe




Frutas silvestres na trilha. Hummmm! 




Se aconchegando no Carvalho



Se protegendo do vento e do frio




Pôr do Sol




Amizade da Alemanha.


Galera, vamos fazer um pequeno, médio e grande movimento dentro de nós mesmos e aos poucos ao nosso redor as coisas vão mudando também. Não se esqueçam de assistir o documentário O VENENO ESTÁ NA MESA. Esse documentário está disponível no Youtube para livre propagação. Você pode fazer quantas cópias quiser e distribuir! 


Um grande beijo a todos! Até a nossa próxima postagem que vai descrever mais um pouco sobre as experiências com o velho/novo mundo.

Adeus Irlanda ....


FOTOS: Henrique Pederneiras e Fernanda Araújo.