sábado, 11 de janeiro de 2014

"...PRECISAM COMER COMIDA COM DEFENSIVO SIM!!"

No primeiro mês do ano de 2014 não posso deixar de escrever para vocês desejando um ano cheio de alegria e sorrisos! O que mais tenho aprendido nessa viagem é que quando enfrentamos os desafios de forma mais relaxada e alegre fica mais fácil aprender com eles. Por isso queridos leitores, acho que o que posso desejar de mais verdadeiro para vocês nesse momento é muita gargalhada! Nunca disse isto com tanta verdade: 

UM FELIZ 2014!



É POSSÍVEL


" não é o caso de milhares e milhares de brasileiros que ganham um salário mínimo ou que não ganham nada, e que portanto, PRECISAM COMER COMIDA COM DEFENSIVO (AGROTÓXICO) SIM, porque é a única forma de se fazer o alimento mais barato, infelizmente". (Fala da senadora Kátia Abreu, criticando a denúncia que o presidente da ANVISA fez ao uso descontrolado de agrotóxicos no Brasil)



E para estrear o ano, o post de hoje vai relatar nosso trabalho numa fazenda orgânica em County Clare/ Irlanda, nossa terceira experiência de voluntariado na ilha mágica, de 02/09/2013 a 01/10/2013. É impressionante como cada vivência nos ensina sempre um pouco mais sobre essa nossa casinha chamada Planeta Terra. 

Dessa vez aprendemos que é possível plantar, comer e desfrutar de comida de qualidade, tudo passa pela questão da força de vontade. Na fazenda do Tobias, descobrimos  o quão gostoso é poder comer uma comida fresca e sem agrotóxico. Já tínhamos experimentado isso na Sonairte, onde fizemos nosso primeiro trabalho, mas a diferença é que dessa vez nós plantávamos e colhíamos a nossa comida! Foi uma experiência tão impactante, que quero gritar para os quatro cantos da terra que a fome não deveria existir! Quero ver florescer pequenos, médios e grandes jardins orgânicos por todo lado!










Essas grandes empresas e políticos que dizem que para alimentar o mundo precisamos desmatar nossas florestas para plantar monoculturas, e usar agrotóxico para a comida ficar mais barata  é só uma desculpa para o enriquecimento dos mesmos. Por isso, quero deixar uma reflexão e uma sugestão: por que não passamos a valorizar as feirinhas orgânicas que acontecem na nossa cidade? Concordo que muitas vezes é uma comida mais cara, mas se passarmos  a economizar em outros itens mais supérfluos para comprar uma comida mais saudável podemos virar esse jogo através da lei da oferta e da procura. Indico um documentário do cineasta brasileiro Silvio Tendler chamado O Veneno está na Mesa, onde ele denuncia a indústria do agronegócio que está colocando veneno para o brasileiro comer. A senadora Kátia Abreu aparece nesse documentário, dizendo que se o pobre quer comer ele tem que comer comida com agrotóxico, isso para justificar que a comida com esses químicos é bem mais barata.


https://www.youtube.com/watch?v=BR1S8tdgkKQ#t=159


Por experiência própria eu posso dizer que é possível também termos uma pequena hortinha em casa, ou mesmo em apartamento. Dá para plantar uns temperinhos, gengibre, alface... Por que não tentar? Aqui na Irlanda há muitas pessoas que fazem isso, as fazendas orgânicas estão por todo o país, e dessa vez aprendemos um pouco mais sobre tudo que essa ilha mágica pode nos proporcionar. Fiquem então com mais essa experiência que queremos compartilhar com vocês.


CASA MÓVEL

Dessa vez não chegamos em um lugar onde haviam milhares de aranhas, mas estávamos em uma casa móvel. Sim, em uma caravana! Por aqui eles chamam de mobile home, é uma daquelas casas que você pode viajar para todo lugar com elas, você acopla em um carro/ônibus e sai viajando. No mobile home você tem sala, quartos, cozinha e banheiro. E dessa vez, ficamos hospedados em uma caravana, delícia  de experiência, menos quando fazia muito frio, kkk! Confiram as fotos:


Apartamento particular. 



Sala



Cozinha



Banheiro



Quarto



Na varanda. 



PLANTAR E COLHER

Nessa fazenda orgânica trabalhávamos de terça a sábado de 09h às 17h, o proprietário administrava o lugar somente com a ajuda dos voluntários, é impressionante. Ele tem plantação de tudo que você possa imaginar. Couve, cenoura, batata, beterraba, cebola, alfaces, rúcula, espinafre, pepino, abobrinha, tomates, feijão, abóbora, maçã, damasco, vários tipos de temperos, flores para fazer chá, etc, etc, etc... e ainda cria abelhas para produzir mel. É uma infinidade de alimentos, tudo orgânico!

Comendo comida orgânica e sem carne vermelha durante um mês, nunca me senti tão bem disposta e com tanta energia. Mas nem tudo são flores na vida, para o Tobias, toda essa qualidade significa muito trabalho e força de vontade! Através do Wwoof (World Wide Opportunities on Organic Farms), ele consegue os voluntários para ajudar e ao mesmo tempo aprender. Mas nós não precisamos ter um jardim desse tamanho, mas podemos valorizar os mercados orgânicos da nossa cidade e começar um pequeno jardim. Que tal?




Tomates e rúculas



Politúneis


Deliciosos tomates



Vários tipos de alface







Fazendo bagunça! 







Quem quer uma cenoura fresquinha? 




Colhendo calêndulas









Alfaces para o mercado



Cuidadosamente








Vai um ovinho fresco? 


Um mês foi suficiente para despertar a vontade de comer comida de qualidade e fazer o possível para divulgar a campanha dos orgânicos e quem saber ter meu próprio jardim.


NOS DIAS DE FOLGA

Como já relatei na última postagem, nos dias de folga podemos conhecer lugares inusitados.  No Tobias, as nossas folgas eram aos domingos e segundas feiras. Caminhadas longas ou curtas nos levavam a destinos mágicos, a conhecer pessoas curiosas, presenciar tradições e histórias. Curiosamente, estávamos em uma região que muitas pessoas no século XIX morreram de fome. A Inglaterra tomou as terras mais férteis dos Irlandeses e os mandou para uma região em que eles conseguiam plantar só batatas, quando veio a peste da batata, os irlandeses morreram aos montes (mais de 1 milhão). Nessa região, visitamos um cemitério nada tradicional, onde muitas pessoas vítimas dessa grande fome foram enterradas. Para cada pessoa enterrada ali, era plantada uma árvore, esse lugar me emocionou. Hoje a fome passa longe daquele lugar.

Fiquem com algumas fotos dessas caminhadas:



Luz mágica. 



Árvore anciã




Caminhos ao longe




Frutas silvestres na trilha. Hummmm! 




Se aconchegando no Carvalho



Se protegendo do vento e do frio




Pôr do Sol




Amizade da Alemanha.


Galera, vamos fazer um pequeno, médio e grande movimento dentro de nós mesmos e aos poucos ao nosso redor as coisas vão mudando também. Não se esqueçam de assistir o documentário O VENENO ESTÁ NA MESA. Esse documentário está disponível no Youtube para livre propagação. Você pode fazer quantas cópias quiser e distribuir! 


Um grande beijo a todos! Até a nossa próxima postagem que vai descrever mais um pouco sobre as experiências com o velho/novo mundo.

Adeus Irlanda ....


FOTOS: Henrique Pederneiras e Fernanda Araújo.





sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Descobrindo a Ilha Mágica








Depois de assistir a esse vídeo você já pode estar imaginando o porquê do título desse texto. A nossa segunda parada como voluntários nos mostrou esse lugar muito especial. A Irlanda sempre foi conhecida como a casa dos celtas, com florestas misteriosas, música boa e um povo receptivo. Foi nessa segunda experiência que experimentamos um pouquinho disso tudo. Tem algo diferente no ar desse país!

Com uma população em torno de 4,5 milhões de habitantes, esse país tem um ar de mistério nas cidades, principalmente nas menores. Quando você entra em um pub bem tradicional parece que você está dentro de um filme. Quando entra dentro de uma floresta então... você já pensa nos celtas e em toda a magia do lugar! Fazer trabalho voluntário  na Irlanda tem nos reservado muitas surpresas! Como por exemplo , uma floresta onde moram fadas, plantas que cantam e ervas que curam. Isso tudo em um lugar só! 




Floresta das Fadas. Segundo a proprietária da terra, só podemos entrar se as Fadas permitirem. 


Momento mágico



UMA FAMÍLIA DO OUTRO LADO DO OCEANO

Esse novo período que tivemos foi mágico em todos os sentidos! Apesar de não ser fácil viajar dessa forma, não podemos reclamar, pois até aqui tivemos ótimas experiências, e nesse lugar conhecemos uma família muito especial. É uma família de ingleses que moram na Irlanda há muito tempo, possuem um lugar maravilhoso e preservam a vegetação local ajudando a plantar mais árvores nativas. A namorada de um dos filhos é japonesa, nunca vi tanta doçura em uma pessoa só. E os cachorros .... nunca vi nada igual! São nossos companheiros e protetores.

A primeira semana sempre é mais difícil, pois existe um período de adaptação que muitas vezes não é fácil. Além de ter que se adaptar a uma nova rotina, se adequar aos horários, à comida e às novas personalidades, temos que abrir nossa mente para entender e conviver com novas formas de pensar, sem fazer julgamentos que podem tornar o dia a dia bem difícil. Imagine só, de um dia para o outro você entra em uma casa e passa a conviver com pessoas que você nunca viu na vida? Isso é bem diferente para nós, no entanto, tudo isso tem nos ajudado a crescer e a enxergar nossos medos e preconceitos. Pode ser um clichê dizer isso,  mas fazer esse tipo de trabalho abre a nossa mente para um mundo que não conhecemos e para ver quantas possibilidades temos à nossa frente. E uma dessas possibilidades é poder ter uma família do outro lado do oceano!



Família




Lui




Dave



Noite brasileira com direito a mandioca, feijão, farofa, bife acebolado e pão de queijo.


Noite japonesa




O TRABALHO DE CADA DIA

Trabalháva-mos em torno de seis horas por dia ajudando a manter um jardim com ervas medicinais. A proprietária do local é médica herbalista e quase todos as flores que ela precisa para fazer os remédios vinham do jardim.



Minhas unhas nunca mais foram as mesmas...!!! 



Henrique fazendo weeding (tirar ervas daninhas)


Companhia durante o trabalho. 



Weeding



O cantinho de cada noite


Trabalhar em troca de ótimas e diferentes experiências, sim, esse é um novo jeito de viajar! Um jeito que encontramos para conseguir continuar essa viagem e que nos colocou em contato com um mundo totalmente novo. 

Percebemos que aqui na Europa, Austrália e Estados Unidos é bem comum as pessoas viajarem dessa forma, pois convenhamos, nem sempre dá para bancar uma viagem em que você tenha que pagar tudo, hospedagem, alimentação, traslados, museus, etc. Ficamos tão entusiasmados com esse novo jeito, que estamos aqui para compartilhar com vocês. Tenho que confessar que para mim não é tão fácil, pois acredito que não tenho "cabeça aberta" o suficiente para entender esse diferente jeito de viajar, mas é uma questão também de você querer enfrentar seus medos e preconceitos. Quando eu passei a assumir essa postura de "cabeça aberta" para o mundo de pessoas, costumes, culturas, novas formas de pensar e viver que estamos entrando em contato, é que passei a enfrentar cada momento de forma mais tranquila. 

Ainda tenho muitos medos, ainda estou "cheia de dedos", mas aos poucos a gente entende que fazemos parte do mesmo mundo chamado Planeta Terra, e que não precisamos ter medo do novo, mas aceitá-lo e dialogar com ele, procurar aprender todos os dias tudo que podemos.  

Vamos que vamos!! Um outro lugar está a caminho, jajá contamos para vocês a nossa terceira experiência. 

Grande abraço!   




FOTOS: Henrique Pederneiras e Fernanda Araújo






quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Libertem-me...




O post de hoje é dedicado aos ativistas do Greenpeace presos na Rússia por realizarem um protesto pacífico contra empresas que querem explorar petróleo no Ártico. Especialmente, à brasileira Ana Paula, que ganhou ainda mais o meu respeito depois que li suas palavras na carta que ela escreveu dentro da cadeia. Abaixo, segue o link onde você pode ler a carta na íntegra (vale a pena ler). 

http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Precisamos-fazer-algo-todos-os-dias/

Depois que li a carta da Ana Paula me senti com uma vontade muito grande de escrever esse post, pois suas palavras vão ao encontro das muitas experiências que tenho vivenciado nessa viagem como vocês podem ver nos textos anteriores. Muito mais do que culpar as empresas que querem explorar petróleo no Ártico, Ana Paula trouxe uma reflexão que devemos fazer individualmente. Sabe quando a gente vai dormir, colocamos a cabeça no travesseiro e um monte de pensamentos começam a passar por ela?

Então, te convido nesse momento a pôr a cabeça no travesseiro e refletir...

Acredito que muito mais do que "brigar" com empresas que só pensam em seus lucros, desmatam, exploram, destroem e esgotam nossos recursos naturais, acho que seria interessante refletirmos: quem consome os produtos que essas empresas vendem? 

Pensando no petróleo, para onde ele vai? Gasolina, peças de carro, brinquedos, garrafas de pet....; plástico, plástico e plástico, onde isso tudo vai parar? De onde isso tudo veio? É iminente revermos os nossos padrões de consumo, e isso, não sou eu quem digo, há vários anos atrás já se discutia em âmbito internacional o problema do consumo não consciente. 

De forma irônica, a Rússia em 1977 foi sede da primeira conferência sobre desenvolvimento sustentável. Vinte anos depois na Grécia (1997), aconteceu a Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade, Educação e Conscientização Pública para a Sustentabilidade, que foi promovida pela Unesco e onde se enfatizou muito a questão do "consumo responsável" (GADOTTI, 2008). A UNESCO dedicou a década de 2002 a 2012 como a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. São várias as linhas de luta pela mãe Terra, mas por que será que essas empresas continuam tendo o aval para a exploração descabida que promovem? 

Aí surge uma questão na minha cachola:

Os ambientalistas, as organizações que discutem a questão de um desenvolvimento mais sustentável podem controlar/proibir o quanto gastamos do nosso salário com produtos que custam muito caro para o planeta? Teoricamente estamos num país livre, teoricamente você tem o direito de ir e vir, de entrar ou não entrar em um shopping; há quem diga que quanto mais você gasta,  quanto mais alto é o seu poder de compra mais bem sucedido tu és. Então, a escolha está nas mãos de quem? 

O modo de vida é imposto pelas máquinas da publicidade das grandes corporações, mas não necessariamente somos determinados por elas. A participação e mobilização dos consumidores pode ser decisiva para o êxito da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (GADOTTI, pág.21, 2008). 

Estamos em 2013, a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável passou, o que será que mudou, e o que será feito nas próximas décadas? 

Você sabia que uma empresa que fabrica smartphones está desmatamento florestas nativas do Congo para tirar o recurso natural de que precisa para produzí-los? Por que o número de carros em Belo Horizonte e em outras capitais aumentou exorbitantemente? A culpa é do governo que não oferece transporte público de qualidade para os cidadãos? Por que não estou separando o meu lixo reciclável ainda? Será que a culpa é só do governo? Sempre é do governo? Será que não temos escolha, opções, voz?

Como vocês leram o meu texto está cheio de perguntas. No entanto, não tenho a pretensão de dar respostas e nem de ter respostas, mas se surgirem reflexões já consigo dormir hoje à noite, e quem sabe, acordar com um pouco mais de esperança.

Se uma de suas reflexões é saber o que você pode fazer para ajudar a pressionar o governo russo a libertar os ativistas do Greenpeace informe-se no site www.greenpeace.org.br.






O que posso dizer...  

Libertem-me...

Libertem-se...

Libertem-na...

Libertem-me das amarras desse dispêndio infame

Dessa tela que enquadra o meu pensamento..., pensante? 

Libertem-se desse burburinho ensurdecedor que cala consciência

Desse estrépito insistente que anuncia progresso e indiferença

Libertem-na da infâmia e do frio distante

Desse desígnio que fere, que prende, incessante. 

Libertem os nossos ativistas! 



FOTOS DA MANIFESTAÇÃO EM LONDRES (05/10/2013)






























Até o próximo post! Nele iremos descrever a nossa segunda experiência de trabalho voluntário na Irlanda em fazendas orgânicas. Inté....

FOTOS: Henrique Pederneiras e Fernanda Araújo

GADOTTI, Moacir. Educar para a Sustentabilidade. Ed. Paulo Freire, 2008. 


domingo, 29 de setembro de 2013

É...Agora Estamos Longe de Casa!

Olá queridos leitores! Como havia prometido, hoje o nosso post irá descrever a nossa primeira experiência com trabalho voluntário do outro lado do oceano. No último post não deu tempo de revelar nossa primeira parada como voluntários, mas logo logo vocês irão saber.  

Bom, depois de procurar...procurar e procurar por instituições onde podíamos trabalhar como voluntários, fomos ao escritório do VSI (Voluntary Service Internacional) em Dublin, e lá descobrimos o Wwoof (World Wide Opportunities on Organic Farms). Descobrimos então, que na Irlanda há muitas oportunidades de trabalho voluntário em fazendas orgânicas, por isso, decidimos ficar por aqui por mais dois meses.  No site do Wwoof na Irlanda - www.wwoof.ie - fizemos a nossa inscrição, para isso, tivemos que pagar 25 euros (o casal) para termos acesso aos 432 hosts que podemos entrar em contato e oferecer trabalho voluntário. No entanto, toda uma família pode se inscrever, por exemplo, o casal com um filho (a), ou um grupo de amigos que querem trabalhar juntos em um determinado lugar. Por isso, se você estiver um pouco inseguro para ir sozinho, chamar um amigo ou irmão(a) para ir junto é uma ótima opção. Quem tiver curiosidade em saber mais sobre essa opção é só entrar no site: http://www.wwoof.net. Há muitas possibilidades no Brasil (http://www.wwoofbrazil.com)  e no mundo, a organização está presente em 99 países, então, é só criar coragem, se planejar e, ir ... 

Assim, aqui começa a nossa nova jornada!  

Gostaríamos de compartilhar com vocês essa incrível jornada, que muitas vezes não é fácil, mas que nos faz aprender muito sobre o mundo em que vivemos e como existem diferentes e mais sustentáveis modos de vida. Sempre acreditei que era possível viver de forma mais sustentável, e essa experiência tem mostrado como diferentes famílias conseguem viver dessa forma. Por aqui, existem várias iniciativas que buscam oferecer às pessoas opções de alimentação mais saudáveis, como por exemplo, comida sem agrotóxico e sementes não modificadas geneticamente. Gostaria de dedicar um post no futuro sobre algumas dessas iniciativas. É por isso que muita gente diz que a Irlanda é um país verde, não só pelas suas belas paisagens, mas também por essas iniciativas "green". Assim, não faltam oportunidades de trabalho voluntário em fazendas orgânicas por aqui. Podemos dizer, que o aprendizado tem sido gigantesco, e que todas as adversidades são superadas quando entramos em contato com todos os saberes que os nossos hosts (quem recebe os voluntários) podem nos oferecer.

Abaixo, segue um vídeo que fizemos para contar para vocês a nossa primeira experiência como voluntário aqui na Irlanda. Espero que vocês gostem!







A CHEGADA

Foi uma experiência muito diferente quando chegamos na Sonairte. Pegamos um ônibus em Dublin e fomos em direção a um local que não conhecíamos e encontrar com alguém que só havíamos conversado por e-mail. Não sabíamos o que nos esperava, onde íamos dormir, como eram as pessoas que iam nos receber. Ao descermos do ônibus, simplesmente parei em frente ao lugar e pensei: "...É, agora estou longe de casa"! Foi uma sensação de medo do desconhecido, misturado com um sentimento de liberdade e uma vontade de voltar correndo para casa.

A chegada não foi tão tranquila e animadora, quem nos recebeu foi um senhor de idade que estava saindo apressado para ir a um concerto na cidade mais próxima. Ele simplesmente nos recebeu e nos encaminhou para o lugar onde iríamos ficar. O prédio tinha em média 200 anos desde quando foi construído e ao entrarmos pela porta nos deparamos com um lugar que não recebia voluntários há dois anos. Vocês podem imaginar como estava o lugar? Pois é, cheio de teias de aranha para todo o lado, super empoeirado e com uma cozinha de "cabeça pra baixo".

A vontade de chorar veio em seguida, quando eu e o Henrique olhamos um para o outro e nos abraçamos. Só chorava e agradecia por ele estar ali comigo. Foi um sentimento de que ele era a minha casinha ali naquele momento, e eu estava segura.

No dia seguinte, as coisas estavam melhores. Começamos a arrumar a casa inteira, mas para deixar tudo bem organizado levamos uns quatro dias! Depois de tudo organizado, as coisas começaram a ficar cada vez melhores! Estávamos ali para ajudar na limpeza do lugar para a comemoração dos 25 anos da criação do espaço. Limpamos a "casa" dos voluntários, os jardins e fizemos wedding (tirar o mato que cresce  no chão e nos jardins), e ajudamos a colher uma frutinha denominada RedCurrent da qual eles fazem geleia.

Nesse lugar foi a primeira vez que tivemos um jantar onde tudo que comemos veio do jardim ao lado da casa, que delícia de experiência! De quarta-feira a domingo nós tínhamos comida fresquinha e orgânica preparada no Sunflower Café que fica dentro da Sonairte. Nos dias de folga, podíamos andar por uma bela trilha que nos levava até um antigo castelo e curtir a paisagem! Não posso esquecer de comentar sobre as amizades, pois geralmente há outros voluntários em fazendas próximas, e que geralmente são de outras partes do planeta. Já temos amigos na China, no Japão, na Espanha, na Croácia, na Irlanda e na Alemanha. Só posso dizer que a experiência não cabe nesse texto!




Tudo orgânico!



Quarto que estava cheio de aranhas. 



Arrumando a cozinha. 




Casa nova. 


Apesar do início ter sido um pouco difícil, a experiência que ganhamos, as pessoas e os lugares que conhecemos superam todas as adversidades. Valeu muito estar nesse lugar! No entanto, outra lugar nos esperava, era hora de partir...

Espero vocês no próximo post!



FOTOS: Henrique Pederneiras e Fernanda Araújo






domingo, 1 de setembro de 2013

Trabalho voluntário pelo mundo, o início de uma nova jornada!

Experiências inusitadas, pessoas maravilhosas e vivências inesquecíveis! Isso tudo podemos ter fazendo trabalho voluntário. E se a ideia é viajar pelo mundo, aprimorar alguma língua como o inglês, e ter momentos memoráveis sem pagar muito caro, optar por um jeito diferente de viajar é indispensável. 

Assim, o Educações pelo Mundo dedica o post de hoje para abrir uma jornada de experiências que serão relatadas aqui nas próximas semanas. Ops.... se o próximo lugar que formos tiver acesso fácil à internet, ainda não sabemos essa informação.  Mas, espero que esse texto possa lhe inspirar a experimentar um novo jeito de conhecer o que o mundo pode nos oferecer, e, o que você pode oferecer a ele.



Voyager. 

Escultura denominada Voyager. Laytown/Irlanda



A vida nos reserva momentos que nunca poderíamos imaginar que fossem acontecer, e isso se concretiza muitas vezes, quando o futuro está turvo à nossa frente e não sabemos para onde ir. De repente, uma luz no fim do túnel aparece e você sabe que deve seguí - la. Pois é, isso aconteceu quando estávamos em Dublin. Havia pagado um mês de curso de inglês e um mês de hospedagem, não sabíamos para onde iríamos depois, comecei a ficar ansiosa, e para ajudar nessa minha ansiedade o euro subiu exorbitantemente. Foi aí, que apareceu uma luzinha...

Como havia falado no post anterior, a Irlanda é um país que lhe oferece muitas oportunidades para trabalhar como voluntário. Para se ter uma ideia do valor que isso tem aqui, um grande prédio em uma das principais avenidas da capital Dublin, a O'Connell Street, é usado como um espaço onde se tem exposições de trabalhos voluntários pelo mundo, palestras sobre o tema, funcionando também como um posto de informações sobre várias organizações que te "levam" para fazer trabalho voluntário em vários países, inclusive na Irlanda. Foi nesse lugar que encontramos um mundo de oportunidades que vieram ao nosso encontro para dar uma mudada no nosso rumo. 

Começamos a fazer trabalho voluntário em Dublin, ajudando a limpar uma das praias. Esse trabalho nos fez conhecer uma adorável senhora  que  nos deu uma carona até um lugar onde estava acontecendo o Festival das Rosas. Que experiência deliciosa....! Sabe aqueles lugares e momentos que não são para turistas verem?? Só o pessoal "de casa" conhece? Pois é, fomos parar num desses lugares graças ao trabalho voluntário. 

Agora, tínhamos que decidir para onde ir depois da Irlanda, então comecei a entrar nos sites das organizações que intermediam a ida para países onde sempre tem alguma ONG ou instituição que precisa de voluntários. Vou deixar aqui alguns nomes para vocês pesquisarem se tiverem interesse: 

- VSO - Voluntary Service Overseas; 

- VSI - Voluntary Service Internacional ( esse tem no Brasil, inclusive em Belo Horizonte); 

- AIESEC (tem no Brasil); 

- SERVE - Solidarity in Action; 

- Comhlámh; 

- Wwoof, etc. 

Bom, por aqui já são 2:14h da manhã (e amanhã tenho que trabalhar), não vai dar tempo de contar onde fomos parar. Então, não perca o próximo post que vai relatar o início dessa nova jornada! 

Um grande e caloroso abraço! 

FOTO: Fernanda Araújo






sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Plástico, Plástico e Plástico....onde isso tudo vai parar?

Depois de um longo tempo sem postagens, o Educações pelo Mundo volta com um post direto da Irlanda. Ficamos em Dublin durante um mês para dar uma aprimorada no nosso inglês e nos deparamos com um país maravilhoso e cheios de surpresas. No entanto, hoje vou me conter em escrever um pouco sobre a experiência que tivemos fazendo um trabalho voluntário nas praias aqui de Dublin. Aliás, em breve estarei dedicando um post para falar mais sobre essa experiência de voluntariado pelo mundo. 

Você pode estar se perguntando o motivo que me levou a dedicar um post para esse assunto. "Fernanda...você está em um país tão lindo, com uma cultura tão interessante e você vem contar para a gente sobre lixo...???? Bom, o porquê é bem simples, a maior parte do lixo que encontramos nas praias, nos rios e nas ruas são produtos de plástico, sacolas plásticas, copos descartáveis e muita, muita garrafa de pet, dentre outros. Como a maioria das cidades grandes, Dublin tem seu lado bem sujo, o rio, a praia, as ruas... As pessoas saem jogando o lixo na rua como se não entendessem o que isso tudo pode causar. Aliás, acho que não entendem, ou, não estão nem um pouco preocupadas e com vontade de entender. 


Lixo, lixo e lixo! Acredito que ele seja um dos grandes problemas do mundo hoje. Abaixo, deixo um vídeo de uma pesquisadora que fala sobre a História da Água Engarrafada: 





Aqui na Irlanda temos muitas oportunidades para trabalhar como voluntário, então, fomos à procura, pois é uma forma de ajudar, conhecer moradores locais e desenvolver o inglês. Assim, conhecemos um projeto que limpa uma das praias de Dublin todo terceiro sábado do mês. E, surpresa....

É inimaginável a quantidade de lixo em um pequeno espaço! Fiquei duas horas recolhendo lixo de uma pequena área e sabem o que catei? Vejam só: 

Muita, muitaaaaaaaaaa garrafa de pet (água mineral e refrigerante); copos descartáveis; sacolas plásticas aos montes, muitaaaaa latinha de cerveja e refrigerante; camisinha, sim...preservativo; chinelo; pedaço de banco de carro; plástico, plástico e plástico! 







Gostaria também de deixar uma reflexão sobre os nossos padrões de consumo, pois temos que revê-los urgentemente! Uma curiosidade que percebemos aqui e na França é que nos bares e restaurantes se você quiser beber água, ela é de graça, você não é obrigado a comprar uma garrafa de água mineral. Vamos começar um protesto aí no Brasil também pessoal: NÃO SOU OBRIGADO A COMPRAR GARRAFA DE AGUA MINERAL!! 

Que tal voltarmos com o velho e refrescante filtro de barro, garrafas de vidro em nossas geladeiras e passarmos a andar com a nossa própria garrafa?? Se a gente quiser, podemos fazer muito! 


Grande abraço pessoal e até a próxima! 

FOTOS: Henrique Pederneiras